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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Aquele vaziozinho da saudade




Que se faz quando sentimos que parte de nós está longe? Como lidar com a ausência e com aquele vazio que fica? Por vezes um dia parece uma semana...
Se é verdade que o tempo nos marca, mais verdade é que as pessoas nos marcam... moldam-nos, tiram-nos pedaços, refinam-nos... tudo aquilo que vivemos ao longo da nossa vida nos vai mudando, tal como um diamante a ser lapidado.
As pessoas passam pela nossa vida e deixam diferentes marcas, e algumas nem uma leve marca deixam, mas existem sempre aquelas que nos marcam fundo e mudam a nossa existência e não importa o tempo que estão presentes. Não são os anos, são sim as vivências que nos tatuam a alma. 
Nós não somos apenas matéria, existe algo de transcendente e único em cada um de nós, e ao longo do tempo vamos tendo encontros com outros que combinam mais ou menos com quem somos e com quem podemos vir a ser.
O sentimento de perda é complicado de se lidar, mas em última análise é melhor ter tido ou conhecido, ainda que por pouco tempo, do que nunca ter tido ou conhecido... o que importa não é a posse, é a intensidade da vivência, é podermos sentir e assim evoluir para nos tornarmos alguém melhor. Eu sou o resultado de um emaranhado de vitórias, erros, bons e maus momentos, escolhas certíssimas e escolhas erradas, pode haver uma ou outra coisa que apagava mas no geral acho que não mudava assim muita coisa.
Há pessoas de quem não sinto a mínima falta, nem me lembro da sua existência, e há pessoas que me fazem falta todos os dias... muita falta. Mas se sinto a sua falta é porque estiveram presentes ao meu lado a dada altura e carregam com elas uma parte de mim.
Preciso dizer que sinto a falta de me fazeres rir...

quinta-feira, 25 de abril de 2013



Sim, as pessoas têm de morrer, de desaparecer, os amores e as amizades desvanecem-se, a distância acontece... eu sei disto tudo, já lá vai o tempo em que eu acreditava que aqueles que mais amava eram eternos... a infância é uma época muito doce e inocente, e essa inocência vai-se perdendo ao longo do tempo e torna-se apenas uma lembrança mais ou menos longínqua e querida.
As perdas são inevitáveis ao longo da nossa vida e vamos aprendendo a lidar com elas à medida que elas nos alcançam, e é nesses momentos que somos apresentados à cortante frieza da saudade que nos vai acompanhar em vários momentos até à nossa morte.
Mas ter saudades significa que tivemos algo que nos fez feliz, por mais breve que tenha sido essa felicidade, ela foi sentida e recorda-nos da dualidade inseparável do bom e do mau.
Com o passar do tempo as lembranças podem esbater-se mas o que é importante deixa sempre um traço, da alegria ou tristeza sentidas... a memória é algo engraçado, lembramo-nos de coisas que queremos esquecer e acabamos por esquecer partes de outras coisas a que nos queremos agarrar e manter perto de nós.
Se as alegrias são para ser vividas (e muito bem vividas), as tristezas também o têm de ser para poderem ser ultrapassadas, não é escondendo e evitando aquilo que nos entristece que se anda para a frente, só quando nos permitimos sentir é que conseguimos integrar as experiências, o que não quer dizer que tenhamos de ficar obcecados e bater sempre na mesma tecla, muito pelo contrário, o objectivo é se necessário parar um bocado e sentir o que há para ser sentido, e depois levantar o olhar e seguir em frente, nem que seja iniciando por passinhos bem pequeninos. Um início trémulo é melhor do que estagnar.
O bom e o mau ou menos bom estarão sempre connosco, mas a decisão de nos deixarmos ir é sempre nossa, pelo menos em parte.
As perdas que já vivi até hoje ensinaram-me a relativizar o que de mau e desagradável me acontece, acho que atribuo um peso bem menor aos contratempos e atribulações que vivo, e assim consigo seguir em frente mais facilmente, não que sinta menos as coisas, mas sei bem o que é tristeza "a sério" e comparativamente o resto parece-me mais pequeno, sinto mas sei que sobrevivo e sem grandes mossas... Pretendo aproveitar os meus dias ao máximo, não quero perder muito tempo com insignificâncias e "guerrinhas" estúpidas... gosto é de dançar,cantar e estar com as "minhas pessoas", para o bom e para o mal... o resto é paisagem!
A morte, a saudade são reais e inevitáveis, não há como contorná-las, mas a par delas existe vida, existe felicidade, para as quais não podemos cegar, caso contrário morremos por dentro e passamos a andar no vazio sem ambicionar que nada de bom aconteça, sem fazer que nada aconteça... deixamos de ser... e assim não pode ser.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Perdas e trambolhões...


Agora apeteceu-me escrever acerca de uma conversa que tive não há muito tempo com alguém e que me deixou a pensar sobre aquelas alturas da vida que uma situação à partida atraente se transforma numa prisão?
O que fazer quando aquilo ou quem nos deveria fazer felizes (e fez à partida) deixa de o fazer?
O que é que acontece para que o que faz todo o sentido deixe de o fazer (claro que isso não acontece bruscamente, mas sim aos poucos e por isso mesmo é difícil tomar consciência do que está a acontecer até a bolinha de neve se ter transformado numa avalanche mortífera)?
Como é possível que todas as certezas e a sensação de bem-estar tenham dado lugar às dúvidas e à sensação de náusea?
Como é possível que o mundo volte a fazer sentido quando nós mesmo nos sentimos a desintegrar por dentro?
O que fazer quando isto acontece?
Eu sei que na vida há um tempo para tudo, tempo para sofrer e tempo para rir e só nos podemos levantar do chão se antes tivermos caído... mas é que às vezes há com cada queda, daquelas de partir os ossinhos todos do corpinho, mas lá encontramos maneira de nos levantar e erguer a cabeça, cada um à sua velocidade e do seu modo muito particular, porque receitas mágicas não existem.
Há decisões difíceis de tomar... mt difíceis... que implicam perdas umas mais significativas que outras mas no fim, maior perda será enganar-nos a nós próprios, cegar e fechar os olhos para o que nos rodeia... e eu sei-o e sei-o muito bem...
As perdas e os trambolhões que vamos dando podem ser originadas pelos nossos próprios actos, o que muitas vezes faz com que nos voltemos contra nós mesmos, ou elas podem ter uma origem totalmente exterior a nós, o que impede que possamos exercer aqualquer tipo de controlo sobre as circunstâncias e aí a nossa raiva e indignação pode voltar-se para o mundo de uma forma indiscriminada...
Normalmente quando tentamos dar sentido às perdas que vamos sofrendo, sejam elas de alguém, de um ideal, de um projecto de vida, ou o que for, o tempo é importante, é preciso respirar fundo, bem fundo e muitas vezes... temos de tentar juntar os pedaços e curar as feridas o melhor possível, porque embora o nosso mundo interior possa ter ruído, a vida não parou, como não pára nunca, e o melhor que temos a fazer é levantar-nos com a certeza de que as nossas cicatrizes nos acompanham por algum motivo, que é para que não nos esqueçamos do passado e para que possamos enfrentar o futuro com uma nova consciência de que coisas melhores por aí virão...
Porque o dia também não existe sem a noite e os rios desaguam no mar... depois da tristeza vem a felicidade.
Bem... já chega, que não me sinto com muita clareza neste momento...